Relação entre aids avançada e mpox é tema de encontro nacional em São Paulo
25/02/2025Pessoas vivendo com aids avançada apresentam maior risco de mortalidade por infecções oportunistas. Visando melhorar a qualidade de vida e reduzir a morbimortalidade dessa população, o Ministério da Saúde – por meio do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi/MS) – apresentou, na terça-feira (25), o Circuito Rápido para Manejo de Aids Avançada durante o 1º Encontro Nacional para o Fortalecimento da Resposta à epidemia de mpox e aids avançada.
O evento reuniu gestores de saúde, especialistas e sociedade civil para compartilhar experiências, apresentar dados e dialogar a respeito de ações de mitigação de vulnerabilidades sociais que afetam as pessoas vivendo com HIV ou aids no Brasil. Na primeira mesa do dia, representantes de cinco estados-piloto da iniciativa (Amazonas, Ceará, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul) destacaram ferramentas, fluxos, organização dos serviços e desafios para a implementação da estratégia.
O representante da Rede Brasil da Pessoa Idosa Vivendo e Convivendo com HIV, Aids e outras Comorbidades (RBPI+), Amaury Lopes, diz ser muito animador ouvir a respeito das ações exitosas nos estados e celebrar os avanços. Ele também cobra maior espaço para atuação dos movimentos sociais nas ações locais. “Precisamos lembrar que a participação da sociedade civil é importante não apenas nos eventos nacionais, mas nas ações realizadas nos territórios. A sociedade civil está invisível nos territórios”, alerta.
Na mesa dedicada à discussão sobre o Brasil Saudável e a resposta no campo da aids, o diretor do Dathi/MS, Draurio Barreira, informou a respeito da primeira oficina de microplanejamento do Programa que ocorreu em Roraima, no início de fevereiro. Ele comentou que a ação será realizada em todos os municípios prioritários elencados no âmbito do Brasil Saudável, a fim de elaborar estratégias adequadas para cada realidade. “O Brasil Saudável é uma resposta do governo brasileiro ao compromisso com os ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável] e a agenda de eliminação de doenças da Organização Mundial da Saúde. O Programa vem promover acesso às pessoas mais vulnerabilizadas, como aqueles em situação de rua, com baixa escolaridade, privada de liberdade”, explica.
Ao longo do encontro também foram apresentadas ferramentas para facilitar e elaboração de políticas públicas voltadas para o cuidado de pessoas vivendo com HIV ou aids. O coordenador-geral de Vigilância de HIV e Aids do Dathi/MS, Artur Kalichman, mostrou o Painel Integrado de Monitoramento do Cuidado do HIV e da Aids. O instrumento informa sobre as etapas do cuidado contínuo das pessoas vivendo com HIV ou aids, abrangendo diagnóstico, tratamento e supressão viral.
Em consonância, a pesquisadora da Universidade de São Paulo, Maria Inês Batistela Nemes, apresentou o QualiAids. O projeto utiliza um questionário para avaliar a situação atual da qualidade da assistência em HIV e aids a partir das respostas dos serviços de todo o Brasil. A pesquisadora pontuou que fatores sociais, individuais, culturais e programáticos afetam o acesso da população aos serviços de saúde. “A resposta dos serviços de saúde pode modificar ou atenuar os componentes individual e social de vulnerabilidade”, afirmou.
Circuito rápido
Com o objetivo de qualificar a assistência às pessoas vivendo com HIV ou aids, priorizando a redução de tempo entre o diagnóstico e o tratamento e das possíveis infecções oportunistas, bem como o início rápido da terapia antirretroviral, o Dathi/MS disponibiliza um curso voltado para profissionais da saúde na plataforma AvaSUS.
Um dos critérios para definição de doença avançada em adultos é a contagem de linfócitos T-CD4 menor que 200 células/mm3. Nesta situação, as pessoas apresentam maior risco de morbidade e mortalidade relacionadas à aids. Para auxiliar os profissionais, o Departamento também disponibiliza um documento orientador Circuito Rápido da aids avançada – Fluxogramas.
Lorany Silva
Ministério da Saúde
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